quinta-feira, 17 de maio de 2012

Nutrição e a Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson  (DP) é uma doença degenerativa, idiopática, que se caracteriza pela perda de neurônios produtores de um neurotransmissor chamado dopamina, localizados na substância negra do mesencéfalo. A doença começa entre os 40 - 70 anos de idade e predomina em homens.  
Os sintomas parkinsonianos são observados, apenas, quando a depleção dopaminérgica atinge o nível crítico (80% de perda de terminais nervosos no striatum ou 50% de perda de corpos celulares no SNC). O quadro clínico caracteriza-se por transtornos do movimento: rigidez, tremor de repouso, instabilidade postural . 10-15% dos pacientes apresentam quadro demencial associado. A DP é uma doença progressiva e seu tratamento visa o controle das manifestações clínicas e dos sintomas.

A levodopa é o medicamento mais utilizado na DP e sua ação inicia 20 a 30 minutos após a ingestão oral. O consumo de proteínas e a motilidade gástrica podem interferir na absorção da Levodopa. Por isso, é muito importante tomar a levodopa longe das principais refeições.
 
Os pacientes com DP podem apresentar um desequilíbrio e comprometimento nutricional, pois eles apresentam  dificuldades de mastigação, ausência de deglutição espontânea, falta de controle motor da língua para formar e conduzir o bolo alimentar, a redução de sensibilidade ao paladar e ao olfato. Além disso, o paciente tem um aumento da demanda energética pelo aumento da demanda muscular (devido aos tremores), interações medicamentosas, baixa auto-estima e depressão que levam a redução da ingestão alimentar. Estes sintomas podem levar o paciente a uma perda de peso e a anorexia. A desnutrição dificulta o tratamento e piora a evolução da doença.
Principais dificuldades nutricionais nos pacientes com DP:
  • Depêndencia para alimentar-se
  • Dificuldade de mastigação e condução do bolo alimentar
  • Alteração da mobilidade da língua e do reflexo da deglutição
  • Rigidez, tremor e incoordenação durante a mastigação
  • Fraca pressão labial
  • Voz baixa e falta de controle da saída de ar durante a fonação
  • Tosse e aspiração do alimento durante a deglutição
Muitos pacientes podem necessitar de nutrição enteral (dieta por sonda),alimentação pastosa para facilitar a deglutição e diminuir o risco de aspiração e suplementos alimentares para prevenir a perda de peso as carências nutricionais.
Familiares e cuidadores desses pacientes devem estar bem treinados e informados sobre a doença e sua evolução, tipo de tratamento e principalmente as dificuldades e limitações diárias, visando melhorar os sintomas e a progressão da doença, bem como proporcionar a eles bem estar e qualidade de vida. 

Confira no próximo post as orientações nutricionais e uma sugestão de cardápio para a DP.

Sugestões de sites:
http://www.parkinson.med.br/
http://www.parkinson.org.br/explorer/index.html

Consulta: 1. Cicconetti, P, Fionda, A. et al. Deficit nutricionale e demenza di Alzheimer: c ome individuarlo e prevenirlo. Recenti Prog. Med., 2000; 3: 135-140. 2. Frank, Andréa; Soares, Eliane; Gouveia, Vanessa. Práticas alimentares na Doença de Alzheimer. In: FRANK, Andréa. Nutrição no Envelhecer São Paulo: Atheneu, 2004, Cap. 15, p. 251-257.

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