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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Alimentação e a Infecção Urinária

A entrada e a proliferação de bactérias no trato urinário é a grande responsável pela infecção urinária. Estes micro organismos podem estar na bexiga, ureter, próstata e rins.  Na maioria das vezes a infecção urinária é causada por bactérias provenientes do Intestino, sendo a E. Coli a mais comum. Os sintomas mais comum são a urgência e dor pra urinar, aumento da frequência em urinar, urina turva, presença de grumos na urina. 
A mulher adulta é um dos grupos mais suscetíveis para a infecção urinária, estima-se que de 40% a 50% das mulheres terão, pelo menos, 1 episódio de infecção urinária durante as suas vidas. 

Situações de risco para a infecção urinária: 
- Gravidez
- Idosos
- Baixa imunidade
- Infecção ginecológica
- Segurar muito tempo o xixi
- Alteração na microbiota intestinal
- Uso de antibióticos
- Relações sexuais

Além dos cuidados de higiene, a correta alimentação também pode auxiliar na prevenção de infecções urinárias. Tomar água diariamente (em média 1,5 a 2 litros por dia) é fundamental. O tratamento da disbiose intestinal também é recomendado. 

O cranberry é um fruta vermelha que tem sido muito utilizada para tratar e prevenir a infecção urinária. Esta fruta contém as proantocianidinas que inibem a aderência das bactérias no trato urinário e inibem a infecção. Os estudos com cranberry têm demonstrado que o consumo desta fruta reduz a ocorrência de novas infecções. Este efeito parece ser melhor nas mulheres e crianças. Nem todas as pessoas conseguem ingerir o suco de cranberry por muito tempo, pois o gosto não é tão agradável e a quantidade a ser tomada é alta. O ideal é a suplementação através do extrato de cranberry. 

O cranberry também está sendo estudado na prevenção da infecção por H. Pylori e placa dentária. 

Pessoas que usam warfarina não devem tomar cranberry. 

Consulta:
Chih-Hung Wang, MD; Cheng-Chung Fang, MD; Nai-Chuan Chen, MD; Sot Shih-Hung Liu, MD; Ping-Hsun Yu, MD; Tao-Yu Wu, MD; Wei-Ting Chen, MD; Chien-Chang Lee, MD, MSc; Shyr-Chyr Chen, MD, MBA. Cranberry-Containing Products for Prevention of Urinary Tract Infections in Susceptible Populations. Arch Intern Med. 2012;172(13):988-996.
http://archinte.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=1213845

http://www.mayoclinic.com/health/cranberry/NS_patient-cranberry
http://www.vponline.com.br/blog/?p=116

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

IMC para Idosos

O IMC dos idosos é diferente do IMC dos adultos. 
Os idosos necessitam de uma reserva de gordura corporal e peso corporal maior que os adultos, pois se eles tiveram alguma doença, infecção, diminuição de apetite, este excesso garante aos idosos uma reserva de energia e com isso o impacto na saúde e no estado nutricional são minimizados. Um idosos mais gordinho, é mais saudável e está mais preparado para as complicações desta idade.  
A pessoa é considerada idosa no Brasil com mais de 60 anos. 




IMC < 22,0  - Magreza
IMC 22,0 - 27,0 - Eutrofia (peso adequado para altura)
IMC > 27,0 - Excesso de peso 
Fonte: Lipschitz, D.A. Screening for nutritional status in the elderly. Primary Care, 21(1):55-67, 1994. 


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Nutrientes Funcionais na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Li um artigo que fala do papel de alguns nutrientes na esclerose lateral amiotrófica. Nem todos os estudos realizados com estes nutrientes obtiveram resultados positivos. Ainda são necessários mais estudos para comprovarmos os benefícios destes nutrientes. São alternativas que devemos avaliar para buscar um melhor tratamento para a ELA.  

Vitamina E - a deficiência pode estar relacionada com o aumento de ELA. Pode auxiliar na diminuição dos sintomas e diminuir a progressão da ELA, pode ter uma ação de neuroproteção. Deficiência pode estar relacionada com doenças motoras. Uso por mais de 10 anos reduziu a mortalidade por ELA.  A suplementação diminui o risco de desenvolver ELA.

Vitaminas do Complexo B (ácido fólico, B12, B6) – pacientes com ELA tem níveis altos de homocisteína, estas vitaminas auxiliam na conversão de homocisteína em metionina, reduzindo os níveis de homociteína.

Zinco - atividade antioxiadante, pode ter um efeito benéfico com dose baixa. Doses altas de zinco diminuem a sobrevida nestes pacientes

Creatina - pode ter uma atividade de neuroproteção, pode diminuir os sintomas e  aumentar a sobrevida.

Coenzima Q10 – participa do transporte de elétrons na mitocôndria. As doses 1200 a 3000mg/dia foram bem toleradas sem efeito colateral. Alguns pacientes com ELA tem coenzima Q10 oxidada elevada e aumento de radicais livres.

Ácido Alfa Lipóico – antioxidante, co-fator das enzimas na mitocôndria, pode aumentar a sobrevida, diminuir a perda de peso e retardar o enfraquecimento motor.

L-Carnitina – participa da oxidação de ácidos graxos na mitocôndria. A administração precoce retarda o aparecimento dos sintomas. Pode diminuir os sintomas motores, melhorar da função motora. O tratamento subcutâneo com L carnitina pode aumentar a sobrevida.

N acetil cisteína – pode melhorar a sobrevida e diminuir os sintomas.

Este texto é apenas informativo.
Consulte uma nutricionista antes de iniciar qualquer suplementação.
Consulta:

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Terapia Nutricional na Esclerose Lateral Amiotrófica

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa, progressiva que causa fraqueza muscular, perda da massa muscular, atrofia muscular, disfagia e dificuldade respiratória. A sobrevida dos indivíduos com ELA varia entre 2 a 5 anos e normalmente ocorre entre 55 e 75 anos.

As causas da ELA ainda são desconhecidas, alguns estudos mostram que esta doença pode estar relacionada com morte celular por agressão auto-imune nos canais de cálcio e incremento de cálcio intra-celular, infecção viral, estresse oxidativo, danos por radicais livres, excesso de metais pesados,  neurotoxicidade por glutamato, disfunções nas mitocôndrias.

Um estudo realizado demonstrou que o consumo alto de gordura  e de glutamato estão associados a maior incidência de ELA, e o alto consumo de fibras está relacionado a menor incidência. Outro estudo demonstrou que a ingestão de vitamina E e ácidos graxos polinsaturados está relacionada com a diminuição do risco entre 50 e 60% de desenvolver ELA. 

Os indivíduos com ELA apresentam uma diminuição da ingestão alimentar, perda de peso e massa muscular, diminuição do apetite, dificuldade de mastigação e deglutição, dificuldades respiratórias e depressão, por isso, a terapia nutricional deve ser iniciada no início da doença. A desnutrição piora a sobrevida destes pacientes.

A terapia nutricional tem como objetivo evitar a perda de peso e de massa muscular, manter o equilíbrio e oferta de calorias, carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas e minerais de acordo com as necessidades de cada um, modificar a consistência da dieta para melhorar a aceitação e diminuir o risco de aspiração, melhorar a qualidade da dieta e dos alimentos consumidos. 

O uso de suplementos alimentares e a indicação precoce de nutrição enteral são uma alternativa para retardar a perda de peso, manter o estado nutricional e diminuir a perda da musculatura respiratória. A nutrição enteral via gastrostomia é um alternativa que mantém a vida social do paciente, pois a dieta pode ser administrada em horário noturno.  

O acompanhamento nutricional é fundamental para os pacientes com ELA. Fique sempre atento a qualquer alteração nutricional, perda de peso, diminuição da ingestão, perda de apetite, lentidão para comer e engasgos.
Procure uma nutricionista, faça um plano alimentar individualizado e ganhe mais qualidade de vida com ELA.

Sites recomendados:
 
Consulta:
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Portaria SAS/MS no 496, de 23 de dezembro de 2009.Esclerose Lateral Amiotrófica
A importância do atendimento muldidisciplinar a pacientes com doença do neurônio motor/esclerose lateral amiotrófica. Salvioni CCdS et al. ConsScientiae Saúde, 2009;8(2):211-217.
Suplementação Nutricional em pacientes com doença do neurônio motor/escletose lateral amiotrófica. Patrícia Stanich. Revista Neurociências V14 N2 (supl-versão eletrônica) abr/jun, 2006.  
Population-Based Case-Control Study of Amyotrophic Lateral Sclerosis in Western Washington State. II. Diet. Am J Epidemiol 2000; 151:164-73.
J Neurol Neurosurg Psychiatry 78:367-371 doi:10.1136/jnnp.2005.083378 Intake of polyunsaturated fatty acids and vitamin E reduces the risk of developing amyotrophic lateral sclerosis.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A Importância da Hidratação nos Idosos

A água corresponde de 40% a 70% da nossa composição corporal. Ela é eliminada através da excreção, fezes, suor, secreções. Ela é adquirida através dos processos metabólicos e principalmente pela ingestão.
Funções da água:
  • Ela auxilia no transporte de nutrientes, hormônios, enzimas e células do nosso corpo.
  • É fundamental nas reações do nosso corpo.
  • Equilibra a temperatura do nosso corpo.
  • Auxilia na eliminação de toxinas e limpeza do sangue.
  • Ajuda a lubrificar as fezes e previne a prisão de ventre.
A sensação de sede que nos leva a tomar água está diminuída nos idosos, eles acabam tomando menos água e muitos desidratam, além de comprometer a função intestinal. Os idosos são mais suscetíveis a ter prisão de ventre e o consumo reduzido de água piora ainda mais esta quadro. Muitos idosos também acabam diminuindo a ingestão de líquidos com medo de acordar muitas vezes de noite e ter que ir no banheiro.
Devemos estar atentos aos sinais de desidratação nos idosos: fadiga,  confusão,  lábios  secos,  olhos encovados,  aumento  da  temperatura  corporal,  diminuição  da  pressão  arterial,  obstipação (prisão de ventre), diminuição da produção de urina ou urina concentrada (muito amarelada) e náuseas.
Dicas para melhorar a ingestão de líquido nos idosos:
Consumir água entre as refeições.
Fazer chás, sucos, batidas, água de coco que auxiliam para aumentar a ingestão de água.
Diminuir o consumo de refrigerantes, águas gaseificadas, sucos industrializados.
Aumentar a ingestão de frutas e sopas
Consumir gelatina e frutas de sobremesa
Consumir águas com sabor, como água com hortelã, alecrim.
Consumir água antes das 18hs para diminuir a vontade de ir no banheiro durante a noite.

Sugestões de horários para o consumo líquidos:
8:00 (antes de tomar café da manhã) - 1 copo de água
10:00 - 1 copo de suco de mamão
11:30 - 1 copo de água
13:30 - 1 copo de suco de manga
15:00 - 1 copo de água
17:00 - 1 copo de água de coco
18:00 - 1 copo de água
21:00 - 1 xícara de chá de camomila

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Idosos e Atividade Física

O aumento da expectativa de vida é um fenômeno mundial e com isso cresce a busca por qualidade de vida  e saúde na terceira idade.
A prática regular de atividade física promove a melhora funcional, aumenta a mobilidade, melhora a atividade social, aumenta a disposição e a resistência e minimiza as restrições causadas pelo envelhecimento.  
O exercício físico também melhora o perfil lipídico, melhora a glicemia e a pressão arterial, melhora a composição corporal, a circulação, a função pulmonar e cardíaca.
Transformar a prática diária de atividade física em um hábito de vida traz auto-estima, confiança, independencia e qualidade de vida. As pessoas com doenças crônicas como Alzheimer, Parkinson, esclerose, diabetes também se beneficiam.  

É importante a realização de um exame médico antes de iniciar a prática de exercício físico.

Dicas importantes:
  • Procure se exercitar com as atividades diárias, como subir de escada, lavar louça, caminhar no jardim, plantar e molhar as flores, ir ao mercado ou a padaria a pé e cozinhar.  
  • Acorde cedo e mantenha-se ocupado durante o dia, faça uma programação semanal para você ter atividade durante toda a semana.
  • Convide seus amigos para um café com bolo de cenoura na sua casa. Dê boas gargalhadas, conte histórias da sua infância e piadas. 
  • Frequente os parques públicos, conheças e participe das atividades para terceira idade do seu bairro.
  • Deixe a preguiça de lado e seja feliz.  
  • Consulte uma nutricionista para fazer um cardápio individualizado, saudável e nutritivo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Alimentação e Parkinson

  • Alimentação equilibrada, rica em proteínas, carboidratos e lipídios
  • Alimentação rica em frutas, verduras, legumes
  • Aumentar o consumo de fibras (alimentos integrais) para melhorar a função intestinal
  • Consumir 6 a 8 copos de água por dia para melhorar a hidratação e a função intestinal
  • Utilizar batidas laxativas para melhorar a função intestinal
  • Oferecer alimentos que possam ser consumidos com a mão, pois evita o uso de talheres, facilita a ingestão e melhora a independência na alimentação do paciente, melhora a auto-estima
  • Oferecer alimentos coloridos, bem temperados e atrativos
  • Oferecer sempre água, sucos, chás entre as refeições
  • Aumentar a densidade energética das preparações (sopas, sucos) e reduzir o volume.
  • Acrescentar 1 colher de sopa de azeite de oliva nas preparações para aumentar as calorias.
  • Oferecer alimentação pastosa quando houver dificuldade de deglutição para melhorar a aceitação e evitar aspiração.
  • Fracionar as refeições (café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia);
  • Colocar bastante tempero (cebola, salsinha, orégano, cebolinha, alho) nas preparações para melhorar o sabor.
  • Colocar legumes coloridos para melhorar a apresentação dos pratos (cenoura, beterraba, vagem, salsinha, brócolis, pimentão).
  • Usar leite e iogurtes integrais, e se necessário acrescentar suplementos e módulos no leite.
  • O mingau de maisena, mucilon, aveia, cremes são uma excelente opção para os pacientes com alimentação pastosa.

Sugestão de Cardápio

Café da Manhã 09:00
1 maça picada
café com leite
2 fatias de pão integral com geléia
2 fatias de queijo

Lanche da Manhã 10:30
1 banana
5 damascos

Almoço 12:30
Cenoura inteira cozida (para comer com a mão)
Arroz integral com salsinha
Feijão
Bolinho de espinafre
Coxa de frango assada (para comer com a mão)
Sobremesa: Romeu e Julieta

Lanche da Tarde 15:30
1 pão de queijo
Iogurte
3 ameixas

Janta 19:00
Brócolis cozido
1 hamburger com com cenoura, tomate, queijo, frango grelhado, alface.
1 suco de frutas
1 caqui
Ceia 21:00
1 fatia de bolo ou 1 ovo cozido
Chá de erva-doce

Os líquidos podem ser oferecidos em garrafas com bicos.   

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Nutrição e a Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson  (DP) é uma doença degenerativa, idiopática, que se caracteriza pela perda de neurônios produtores de um neurotransmissor chamado dopamina, localizados na substância negra do mesencéfalo. A doença começa entre os 40 - 70 anos de idade e predomina em homens.  
Os sintomas parkinsonianos são observados, apenas, quando a depleção dopaminérgica atinge o nível crítico (80% de perda de terminais nervosos no striatum ou 50% de perda de corpos celulares no SNC). O quadro clínico caracteriza-se por transtornos do movimento: rigidez, tremor de repouso, instabilidade postural . 10-15% dos pacientes apresentam quadro demencial associado. A DP é uma doença progressiva e seu tratamento visa o controle das manifestações clínicas e dos sintomas.

A levodopa é o medicamento mais utilizado na DP e sua ação inicia 20 a 30 minutos após a ingestão oral. O consumo de proteínas e a motilidade gástrica podem interferir na absorção da Levodopa. Por isso, é muito importante tomar a levodopa longe das principais refeições.
 
Os pacientes com DP podem apresentar um desequilíbrio e comprometimento nutricional, pois eles apresentam  dificuldades de mastigação, ausência de deglutição espontânea, falta de controle motor da língua para formar e conduzir o bolo alimentar, a redução de sensibilidade ao paladar e ao olfato. Além disso, o paciente tem um aumento da demanda energética pelo aumento da demanda muscular (devido aos tremores), interações medicamentosas, baixa auto-estima e depressão que levam a redução da ingestão alimentar. Estes sintomas podem levar o paciente a uma perda de peso e a anorexia. A desnutrição dificulta o tratamento e piora a evolução da doença.
Principais dificuldades nutricionais nos pacientes com DP:
  • Depêndencia para alimentar-se
  • Dificuldade de mastigação e condução do bolo alimentar
  • Alteração da mobilidade da língua e do reflexo da deglutição
  • Rigidez, tremor e incoordenação durante a mastigação
  • Fraca pressão labial
  • Voz baixa e falta de controle da saída de ar durante a fonação
  • Tosse e aspiração do alimento durante a deglutição
Muitos pacientes podem necessitar de nutrição enteral (dieta por sonda),alimentação pastosa para facilitar a deglutição e diminuir o risco de aspiração e suplementos alimentares para prevenir a perda de peso as carências nutricionais.
Familiares e cuidadores desses pacientes devem estar bem treinados e informados sobre a doença e sua evolução, tipo de tratamento e principalmente as dificuldades e limitações diárias, visando melhorar os sintomas e a progressão da doença, bem como proporcionar a eles bem estar e qualidade de vida. 

Confira no próximo post as orientações nutricionais e uma sugestão de cardápio para a DP.

Sugestões de sites:
http://www.parkinson.med.br/
http://www.parkinson.org.br/explorer/index.html

Consulta: 1. Cicconetti, P, Fionda, A. et al. Deficit nutricionale e demenza di Alzheimer: c ome individuarlo e prevenirlo. Recenti Prog. Med., 2000; 3: 135-140. 2. Frank, Andréa; Soares, Eliane; Gouveia, Vanessa. Práticas alimentares na Doença de Alzheimer. In: FRANK, Andréa. Nutrição no Envelhecer São Paulo: Atheneu, 2004, Cap. 15, p. 251-257.

domingo, 13 de maio de 2012

Suplmentos Nutricionais para o Idoso

O Envelhecimento é caracterizado pela perda progressiva da funcionalidade e da capacidade de homeostase do nosso organismo, que vem acompanhado de uma série de alterações fisiológicas.
A Nutrição é uma área que pode ser afetada nesta idade, pois muitos idosos apresentam uma diminuição do apetite, dificuldade de mastigação pelo uso de dentadura, depressão, deficiências físicas e cognitivas, doenças crônicas e limitações diárias.

A perda do paladar e do olfato diminuem o interesse do idoso pela comida, por isso, é muito importante acrescentar temperos, oferecer alimentos coloridos e variados para melhorar o sabor e a aparência dos alimentos e assim fazer com que o idoso tenha mais prazer e aceite melhor a alimentação. O uso de dentadura prejudica a mastigação, por isso é importante proporcionar uma dieta com textura adequada, evitando os alimentos duros e viscosos. 
Muitos idosos acabam não ingerindo tudo que precisam para atingir as necessidades nutricionais. Nestes casos, é fundamental o uso de suplementos para evitar a perda de peso, perda de massa muscular e melhorar a atividade e disposição do paciente.

Os suplementos devem ser utilizados em horários separados das refeições para não prejudicar o apetite do paciente.

Exemplo:
08:00 - Café da Manhã
10:00 - Suplemento
12:00 - Almoço
15:00 - Lanche da Tarde
18:00 - Janta
21:00 - Suplemento

Conheça alguns suplementos que podem ser utilizados para complementar e auxiliar a alimentação dos idosos. Para os idosos desnutridos, o ideal é escolher o suplemento com maior teor de proteínas e calorias.

Ensure  pó (baunilha, morango, banana e chocolate).
Ensure Tetra Pak plus HN (baunilha, chocolate). 
Nutridrink pó (baunilha, sem sabor).
Nutridrink frasco (baunilha, chocolate, morango, frutas tropicais).
Glucerna SR (baunilha, chocolate) ou Glucerna 1.5 (baunilha). Indicado para  auxiliar no controle glicêmico e no ganho de peso em pacientes diabéticos.
Nutren Active (baunilha).
Nutren 1.0 (baunilha).
Nutren 1.5 Tetra Pak (baunilha, chocolate, morango)
Sustagem Cálcio + Proteína (morango, baunilha, chocolate).
Sustain (baunilha, chocolate e morango).

Para deixar o suplemento mais calórico e atrativo, você pode acrescentar frutas, leite, iogurte, cereais.

Estas orientação são informativas. Consulte uma nutricionista antes de utilizar suplemento alimentar.

sábado, 12 de maio de 2012

Alimentação e Alzheimer

  • Cuidar da apresentação das refeições, oferecer alimentos variados, coloridos e de boa aparência;
  • Estabelecer os horários das refeições de acordo com a rotina do paciente;
  • Entre as refeições sempre oferecer água, sucos, chás, água de coco, leite de soja.
  • Aumentar a densidade energética das preparações (sopas, sucos) e reduzir o volume.
  • Acrescentar 1 colher de sopa de azeite de oliva nas preparações para aumentar as calorias.
  • Oferecer alimentos ricos em fibras para melhorar o hábito intestinal, como as frutas, verduras e alimentos integrais. Não utilizar alimentos refinados.
  • Oferecer alimentação pastosa quando houver dificuldade de deglutição e para melhorar a aceitação.
  • Fracionar as refeições (café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia);
  • Colocar bastante tempero (cebola, salsinha, orégano, cebolinha, alho) nas preparações para melhorar o sabor.
  • Colocar legumes coloridos para melhorar a apresentação dos pratos (cenoura, beterraba, vagem, salsinha, brócolis, pimentão).
  • Usar leite e iogurtes integrais, e se necessário acrescentar suplementos e módulos no leite. 
  • O mingau de maisena, mucilon e aveia é uma excelente opção para os pacientes com alimentação pastosa.
Sugestão de Cardápio
    Café da Manhã
1 fatia de mamão
1 xícara de café com leite (integral)
2 fatias de pão integral
2 colheres de sopa de geléia de fruta

Lanche da Manhã
Batida de abacate com leite e mel
1 copo de água de coco

Almoço
Salada de beterraba com orégano e azeite de oliva 
Arroz com cenoura e vagem
Feijão branco
Picadinho de carne com molho de tomate

Sobremesa
Pudim de coco com calda de ameixa

Lanche da Tarde
1 banana amassada
2 fatias de pão integral
2 fatias de queijo
2 fatias de peito de perú

Janta
Creme de ervilha
1 ovo cozido

Ceia
1 xícara de chá ou leite
4 bolachas maizena

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Alzheimer na Terceira Idade

A Doença de Alzheimer (DA) é o tipo de demência mais comum na terceira idade. A DA é uma doença degenerativa que acomete o cérebro, comprometendo principalmente funções corticais superiores como a memória, o pensamento, a linguagem e o julgamento crítico. A sua evolução compromete não apenas o idoso, mas também a sua família e a comunidade em que ele vive. 

Os pacientes com DA têm uma perda progressiva da memória, dificuldade de concentração, as atividades diárias ficam cada vez mais difíceis, oscilações de humor, apatia profunda, crises de medo,  muitos pacientes ficam deprimidos, complicações nutricionais,  o paciente também pode apresentar limitações físicas, perda de autonomia e dependência.

O diagnóstico é feito pela demonstração dos déficits psíquicos e cognitivos através de testes específicos: ¨Mini-Mental Status Examination¨, Teste do relógio de Shulman e a Escala de Demência de Blessed entre outros.
Muitos pacientes com Alzheimer apresentam um desequilíbrio do estado nutricional, que pode levar a perda de peso e a desnutrição. A perda de peso pode ser encontrada na fase inicial da doença e auxiliar no diagnóstico. Este comprometimento nutricional está relacionado com a atrofia do córtex temporal mediano e elevado gasto energético, levando a redução da massa muscular, perda da autonomia e dependência funcional, além de riscos de quedas, úlceras de decúbito e infecções. Estes pacientes também apresentam dificuldade de mastigação e deglutição, desordens comportamentais, lentidão nas refeições e diminuição da ingestão alimentar.

A anorexia também pode ocorrer nos estágios mais avançados da DA e influenciar na perda de peso. A anorexia pode estar relacionada com a diminuição do paladar e do olfato, aumento da saciedade, diminuição do apetite e alterações de neurotransmissores.  

O uso de suplementos alimentares e a nutrição enteral (alimentação através de sonda) devem ser utilizados quando necessário. A consistência da alimentação também deve ser considerada, pois os pacientes que apresentam dificuldade de deglutição podem aspirar a alimentação e desenvolver uma pneumonia, o alimento pode ir direto para o pulmão e causar infecção. Muitos pacientes acabam utilizando uma alimentação pastosa, pois é mais fácil de deglutir e o risco de aspiração é menor. 

A obstipação (prisão de ventre) é muito comum e pode ser melhorada com a ingestão hídrica, consumo de frutas, verduras, fibras e batidas laxativas. Alguns pacientes necessitam de medicação.

Familiares e cuidadores desses pacientes devem estar bem treinados e informados sobre a doença e sua evolução, tipo de tratamento e principalmente as dificuldades e limitações diárias, visando melhorar os sintomas e a progressão da doença, bem como proporcionar a eles bem estar e qualidade de vida.  

Confira no próximo post dicas nutricionais na DA.

Consulta: 1. Estado Nutricional na Doença de Alzheimer. Rev Assoc Med Bras 2009; 55(2): 188-91. 2. Relatório sobre a Doença de Alzheimer no Mundo. 2009. 3. Gillete-Guyonnet S, Nourhashémi F, Andrieu S, Glisezinski I, Ousset PJ, Rivière D, et al. Weight loss in Alzheimer disease. Am J Clin Nutr. 2000;71(Suppl):637S-42S.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pirâmide Alimentar para Idosos

A Pirâmide Alimentar para Idosos foi publicada em 2008 nos Estados Unidos, baseada nas diferentes necessidades nutricionais desta população. Além de destacar a importância da alimentação equilibrada e variada, esta pirâmide também enfatiza a importância da atividade física, psíquica e social.
Os idosos apresentam uma diminuição no gasto energético total, pois eles diminuem as suas atividades físicas e também tem uma diminuição do metabolismo basal, eles necessitam de menos calorias, porém a mesma quantidade de nutrientes, incluindo as vitaminas, minerais e proteínas. 
As principais recomendações da Pirâmide Alimentar são:
  • Consumo de grãos integrais, cereais, como arroz integral e pão de trigo 100% integral. 
  • Legumes coloridos, como cenoura e brócolis.
  • Frutas coloridas, como amoras e melão
  • Produtos com baixo teor de gordura como os produtos lácteos, iogurte e leite com baixo teor de lactose (desnatados)
  • Feijão e nozes, peixe, aves, carnes magras e ovos.
  • Óleos vegetais, como o azeite de oliva.
  • Consumo de líquidos, como água e sucos naturais.
  • Atividade física, trabalho em casa, caminhadas, trabalhar no quintal
A prática de atividade física regular foi indicada nesta pirâmide, pois está relacionada com a diminuição do risco de doenças crônicas, menor peso corporal e aumento da qualidade de vida. Isso é muito importante, pois a obesidade na terceira idade está crescendo.

Os criadores da pirâmide também indicam a compra de frutas e legumes embalados ou congelados, pois é mais fácil de preparar e pode ser armazenado mais tempo na geladeira.
O aumento do consumo de fibras também é importante e pode ser adquirido através dos alimentos integrais, frutas e legumes.

Na terceira idade temos um desequilíbrio na necessidade de líquidos e na sede que sentimos, ou seja, temos menos sede e não conseguimos beber a quantidade de água que precisamos, por isso é recomendado o consumir água várias vezes ao dia, mesmo sem sentir sede e consumir frutas e legumes com maior quantidade de água, como o melão, melancia, alface.

A suplementação de cálcio, vitamina D e vitamina B12 pode ser recomendada, pois muitos idosos não conseguem atingir as necessidades destes nutrientes somente com a alimentação, mas a preferência será sempre adquirir os nutrientes na forma de alimentos, ao invés da suplementação.

Confira a pirâmide:


Consulta: Lichtenstein AH, Rasmussen H, Yu WW, Epstein SR, Russell RM. Modified MyPyramid for Older Adults. J Nutr. 2008; 138:78-82.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nutrição para os Idosos

A Organização das Nações Unidas (ONU) considera um paciente idoso com idade maior ou igual a 65 anos para países desenvolvidos e idade maior ou igual a 60 anos para países em desenvolvimento. A expectativa de vida é maior em mulheres (69,5 anos) do que em homens (65 anos). Até 2025, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil será o sexto país com maior número de idosos do mundo.

O Envelhecimento é caracterizado pela perda progressiva da funcionalidade e da capacidade de homeostase do nosso organismo, que vem acompanhado de uma série de alterações fisiológicas.
A Nutrição é uma área que pode ser afetada nesta idade, pois muitos idosos apresentam uma diminuição do apetite, dificuldade de mastigação pelo uso de dentadura, depressão, deficiências físicas e cognitivas, doenças crônicas e limitações diárias.

A perda do paladar e do olfato diminuem o interesse do idoso pela comida, por isso, é muito importante acrescentar temperos, oferecer alimentos coloridos e variados para melhorar o sabor e a aparência dos alimentos e assim fazer com que o idoso tenha mais prazer e aceite melhor a alimentação. O uso de dentadura prejudica a mastigação, e também é importante, na hora de preparar os alimentos, proporcionar uma dieta com textura adequada, evitando os alimentos duros e viscosos que dificultam a mastigação e a deglutição.  


O consumo excessivo de calorias aumenta muito o risco de obesidade, doenças crônicas e deficiências durante o processo de envelhecimento. Dietas ricas em gordura (saturada) e sal, pobres em frutas e legumes/verduras e que suprem uma quantidade insuficiente de fibras e vitaminas, combinadas ao sedentarismo, são os maiores fontes risco de problemas crônicos, como diabete, doenças cardiovascular, pressão alta, obesidade, artrite e alguns tipos de câncer. O consumo inadequado de cálcio e vitamina D está associado à perda da densidade óssea durante a velhice, o aumento de fraturas e dores, e debilita, principalmente, as mulheres idosas.  

A hidratação, consumo de água, também merece atenção, pois a maioria dos idosos não sentem sede e tem um aumento de produção de urina à noite. A baixa ingestão de água nesta idade pode prejudicar o funcionamento do organismo, do rim, pode aumentar o risco de obstipação e causar desidratação. Algumas dicas que podem estimular o consumo de água:
  • Colocar ervas frescas, como hortelã, manjericão ou alecrim na água, para melhorar o sabor e ficar uma bebida refrescante.
  • A água de coco é uma das bebidas que podem substituir a água, pois contém poucas calorias e é rica em sais minerais como o sódio e o potássio.
  • Aumentar o consumo de frutas, pois contêm cerca de 80% de água em sua composição. Sucos naturais também são uma boa opção desde que não se adoce com açúcar para evitar o excesso de carboidratos.

A vitamina B12 também merece atenção, estima-se que de 10 a 15% dos idosos tenham deficiência desta vitamina. A deficiência desta vitamina pode causar anemia e suas principais fontes são as carnes. A gastrite e a diminuição da produção de ácido clorídrico nesta população pode diminuir a absorção de vitamina B12. A deficiência desta vitamina foi relacionada em alguns estudos com o aumento do risco de Alzheimer e demência.

Ácido Fólico, vitamina B6, ferro também tem uma absorção prejudicada. O cálcio e vitamina D podem ajudar a prevenir a osteoporose. A vitamina D é importante para o metabolismo do cálcio. Pouca exposição ao sol aliada a problemas de consumo na alimentação podem deixar o idoso deficiente desta vitamina . Alimentos ricos em vitaminas (A e C) e minerais (zinco, cobre e selênio) vão agir como antioxidantes e ajudar o organismo a lutar contra os radicais livres de oxigênio, responsáveis por diversas alterações nas células do corpo, principalmente as que levam ao seu envelhecimento. 

Dicas importantes:
  • Mantenha um  peso saudável
  • Reduza o consumo de sal
  • Utilize temperos naturais, como o orégano, salsinha e cebolinha
  • Evita bebidas alcoólicas
  • Evite o consumo de açúcares e doces, prefira as frutas
  • Reduza o consumo de alimentos ricos em gorduras, como as frituras
  • Consuma 5 porções de frutas por dia
  • Mantenha um consumo adequado de cálcio com leites, iogurtes e queijos
  • Melhore o sabor e as aparências dos alimentos para torná-los mais saborosos e apetitosos
 Fique atento às alterações fisiológicas nesta fase e previna as deficiências nutricionais. Confira na próxima postagem a pirâmide alimentar para idosos.
  
Consulta: 1. Annu Rev Nutr. 1999;19:357-77.Vitamin B12 deficiency in the elderly.Baik HW, Russell RM.2.WORLD HEALTH ORGANIZATION. Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization; tradução Suzana Gontijo. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60p. 3. MORIGUTI, J. C. et al. Nutrição no idoso. In: Antonio Carlos Lopes; Vicente Amato Neto. (Org.). Tratado de Clínica Médica. 1 ed. São Paulo - SP: Roca Editora, 2006, v. 3, p. 4281-4292. 4.DRUMMOND, K. E. ; BREFERE L. M. Nutrition for foodservice and culinary professionals. Wiley. USA. 2000. p. 368, 447,448